
Há vazios que doem.
E há vazios que pedem silêncio.
Nem todo vazio é falta.
Alguns são intervalos.
Essa sensação de vazio pode vir quando algo que sustentava já não se sustenta mais, e aquilo que virá ainda não encontrou forma.
Nesse espaço, nada parece certo.
O que antes norteava perde força.
O futuro não se apresenta.
E o presente parece suspenso.
O vazio assusta porque não oferece apoio.
Não dá respostas.
Não promete direção.
Mas nem sempre ele pede preenchimento.
Às vezes, pede permanência.
Ficar nesse espaço vazio não é desistência.
É sustentar o que ainda se reorganiza.
Algumas travessias começam assim:
quando se aceita não saber
e permanece consigo,
no intervalo.
Se quiser permanecer um pouco mais, há outros registros à sua espera no Caderno.